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Conheça a moda sem gênero

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A tendência já apareceu inúmeras vezes em desfiles internacionais. Prada, Givenchy, Chanel e Dolce&Gabbana já estamparam nas passarelas o que as ruas sinalizaram. Sem medo do novo, a Balmain já apresenta em sua loja virtual suas apostas. A Louis Vuitton trouxe Jaden Smith para estrelar sua campanha feminina. É a moda híbrida, sem definição de gênero, também chamada de genderless.

Ainda que Coco Chanel já tenha iniciado essa mistura na década de 1920, quando se inspirou na indumentária masculina para criar a pantalona, é agora, quase um século depois, que a moda começa a misturar os guarda-roupas para atender a um público interessado em expressar sua atitude, seu comportamento e sua identidade.  

A mestra Suzy Okamoto, professora do curso de Design de Moda do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, lembra que, além de Chanel, outras personalidades, assim como movimentos socioculturais, já haviam revelado mudanças de paradigmas. “Há diversos exemplos da moda como uma manifestação sociocultural. Flávio de Carvalho usou saias no Brasil em 1956, Iggy Pop vestiu calças femininas na década de 1960, e, nos anos 1990, os jovens de Harajuku, em Tóquio, também misturaram peças de roupas.” 

Flávio de Carvalho foi um arquiteto e artista plástico modernista. Na defesa de roupas confortáveis para o calor da época, desfilou por São Paulo com um figurino masculino, feito por ele mesmo, composto por saia e blusa de mangas curtas e folgadas. E é curioso que 60 anos depois o tema tenha voltado à tona para mostrar que algumas convicções daquela época talvez não fossem tão surreais como as pessoas imaginavam. E quem levanta a bandeira para a discussão são os jovens, mostrando que essa diferenciação não é o mais importante.

A moda sem gênero não nasce com a finalidade de mostrar preferências, mas quer abrir espaço para expor personalidades, comportamentos e bem-estar. “São jovens de uma geração de muita atitude que querem mostrar quem são e o que sentem e não querem diferenciação de gênero, espaço, raça ou cor. Eles ensinam às gerações anteriores que o que vale é a personalidade. Estão preocupados com as atitudes e em cuidar do mundo e querem mostrar que somos todos iguais, independentemente do que usamos”, reflete Kika Locchi, coordenadora de Moda das redes Morana e Balonè, franquias do Grupo Ornatus.

Não por acaso, Jaden Smith foi destaque da campanha da Louis Vuitton em 2016. Em suas entrevistas, ele diz que usa o que tem vontade. Na defesa da moda genderless, exibe um figurino unissex, levantando debates sobre a igualdade de gênero e de comportamento.

 

Tendência global

 

Antes de avançar mais no tema, é importante explicar que nenhuma tendência surge por acaso. Para que determinado estilo chegue às passarelas, são realizados diversos estudos. A observação do que ocorre no mundo, a chegada de uma rede social, o comportamento dos jovens, seus hábitos e desejos são apenas alguns dos insights que ajudam a visualizar o que virá no futuro.

A WGSN é a empresa líder no mundo em previsão de tendências, e seus estudos englobam, por exemplo, análises diárias de tendências, dados analíticos de varejo e entendimento sobre o público consumidor. Mariana Santiloni, WGSN Expert, lembra que o tema está em evidência desde 2011 e vem crescendo desde então. “As tradicionais formas de identidade, como raça, gênero e sexualidade, estão rapidamente entrando em colapso. Os pronomes de gênero neutros estão se tornando mais comuns e a orientação sexual está se expandindo diariamente”, observa.

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