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Crescimento do setor de franquias supera o PIB nacional

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Enquanto o governo reduziu, na última semana, a previsão de crescimento para o Produto Interno Bruno de 2% para 0,8% neste ano, o setor de franchising promete, mais uma vez, registrar avanço bem maior do que a economia doméstica em 2019. 
 
Conforme André Friedheim, presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), a expectativa é de que o setor registre alta entre 8% e 10% em faturamento e crescimento de 5% no número de unidades.
 
Um dos motivos para avançar mesmo nos períodos de turbulência econômica, pontua o presidente da associação, é o fato de que o consumidor fica mais cauteloso com o produto ou serviço que irá adquirir. “Na crise, o consumidor quer fazer uma compra segura e isso se dá quando existe uma marca associada aquele produto ou serviço”, diz. Além disso, a profissionalização pelo qual o segmento passou, complementa a sensação de satisfação no atendimento. “Antes, você ia a uma oficina mecânica, o lugar era sujo, o mecânico estava cheio de graxa. Hoje, o atendente está uniformizado, a oficina é limpa, o fornecedor te dá nota fiscal e você confia no que ele está propondo fazer no seu carro”, completa.
 
Tendência 
 
A profissionalização do setor de franquias no Brasil também está criando uma categoria que avançou muito nos Estados Unidos nos últimos anos, a de multifranqueados, isto é, pessoas que adquirem mais de uma franquia, seja ela da mesma rede ou não.
 
Conforme Denis Santini, professor da Professor da Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (FIA-USP), CEO do Grupo MD e especialista em comunicação e marketing para varejo e franquias, o estopim do crescimento de multifranqueados nos EUA foi a crise de 2014. “Antes dela, o franqueado médio ganhava entre US$ 6 mil e US$ 10 mil dólares por mês. No período conturbado da economia, ele passou a ganhar a metade disso”, pontua. 
 
“Mas, o americano tem um perfil cultural muito diferente do brasileiro: enquanto nós falamos “ganhar dinheiro”, eles usam a expressão “fazer dinheiro” (Make Money). Neste ambiente, ele percebeu que deveria dobrar sua franquia para aumentar seu faturamento. Com isso, surgiram os multifranqueados”, diz. Para o professor, a mesma tendência tem sido observada no Brasil.
 
Conselhos jurídicos Com tantos avanços, a legislação também tem se adequado para acompanhar as evoluções do segmento. Para evitar surpresas desnecessárias, a advogada Andrea Oricchio recomenda alguns pontos a serem observados para evitar futuros embates judiciais. “O que vale é a relação de fato que está acontecendo na ponta, e não necessariamente o que está escrito no Contrato de Franquia, mas que não acontece na prática. Qual é a extensão da verdadeira autonomia do franqueado? O quanto da gestão e do risco do negócio são de fato decididos só pelo franqueado? Um modelo ‘home based’, por exemplo, não pode apresentar aspectos no dia-a-dia da operação que levem ao entendimento de que a relação entre franqueado e franqueador constitui, na realidade, uma relação de emprego. Se isso acontecer, há riscos trabalhistas para a franqueadora”, exemplifica a profissional.
 
FONTE: DCI